Uma jornada solitária pelo empreendedorismo em 3 Atos – Parte I

E aí, você sabe quem será o próximo unicórnio do Brasil? Eu não sei. Mas para fazer uma referência às minhas raízes nordestinas, tem outro equino muito famoso que eu conheço bem! O jerico! E eu já tive muitas ideias de jerico =) Esses animais são muito queridos e no Nordeste foram a força motriz de muitas comunidades anos a fio: eram o transporte para ir e vir, além de fazer a carga da água, capim, cereais, etc…, enfim trabalhadores. Eles estão mais próximos da minha realidade enquanto empreendedora, pelo menos até aqui.

Ato 1: A semente empreendedora

 

Eu sempre tive o sonho de empreender e começou desde a adolescência, por volta dos 14-15 anos, naquela época eu fiz vários cursos do Sebrae para aprender a montar um negócio, todavia nunca soube direito exatamente o tipo de empreendimento, apenas que eu queria empreender. Bom, passou o tempo entrei na faculdade e ao concluir o curso começaram a brotar várias ideias mirabolantes, com base em tudo quanto eu havia aprendido naquele período. Entretanto, o que eu não sabia é que uma longa jornada estava começando, e isso foi lá em 2015.

Ato 2: Os erros

 

A primeira coisa que quis fazer foi um site! Mas… cara! como fazer o site de um negócio que nem estava claro na minha cabeça, sem eu sequer conhecer o meu cliente? Eu queria fazer oficina de educação ambiental, adequação ambiental de área rurais, trabalhar com educação no contexto formal e não-formal, prestar consultoria em manejo florestal, trabalhar com licenciamento… Enfim, eu tinha uma série de aspirações, que embora tivessem alguns pontos de encontro elas divergiam, em muito, no contexto das suas aplicações. Mas na época, ainda lá por 2015-2016, era muito difícil eu entender isso.

E quando você pensa que tem uma startup e não tem? Acho que fui muito influenciada pela quantidade de vídeos e conteúdo na internet que falavam sobre como abrir uma empresa com pouco dinheiro (minha situação!) e, como fazer a sua ideia crescer mesmo assim no ecossistema das startups, o qual envolve termos que não conhecia: investidores-anjo, aceleradoras, incubadoras, mentoring, business plan… Então né, lá fui eu: Regina, a bióloga. Assim, esforcei-me bastante para aprender algo totalmente diferente da minha expertise até então. Todavia, um tempo depois fui descobrir que o tipo de negócio no qual realmente queria engajar-me, não tinha nada a ver com startup, era algo até já bem conhecido no mercado. Mas confesso que conviver com “startupeiros” e seu modus operandi viciou um pouco a minha forma de pensar, ainda que tenha aprendido bastante.

Ler é importante no processo de empreender

Daria Nepriakhina

O que aprendi nesse caminho é que sim, é bacana ler um livro como o do Eric Ries, o Startup Enxuta, que ensina-lhe a pensar numa metodologia para testar ideias de negócios, ou outro livro como o Business Model Canvas, do Alexander Osterwalder & Yves Pigneur, que fala sobre o processo de modelar um negócio. Essas publicações são muito importantes pra quem deseja empreender e está em fase inicial, mas cada um desses livros, ideias e metodologia está para uma fase diferente do processo de construção de um negócio, mesmo porque trazem abordagens distintas ainda que complementares. E digo isso apenas porque no início da minha jornada de aprendizagem fiquei bem perdida com todas essas leituras obrigatórias do mundo do empreendedorismo. E outro ponto importante é que esses autores oferecem caminhos e não tábuas de salvação, até porque na prática muita coisa não funciona, ou leva mais tempo do que você espera para acontecer, além do risco Brasil para empreendedores… Enfim toda sorte de acontecimentos. E uma equipe que me ajudou muito a ver isso foi o pessoal da Talk Plan Do, uma consultoria de marketing (não estou ganhando nada para fazer propaganda =]), cujo trabalho do consultor Maurício Yorinobu ajudou-me realizar na prática uma apropriação desses conceitos em empreendedorismo. Em síntese, é como se fosse um kit de ferramentas, assim você vai descobrindo em qual momento usar cada uma delas, descobre quais são as mais adequadas para a fase em que está. Tipo, você não usa chave de fenda para bater um prego na parede, sabe? É nessa lógica! Assim, você não fará um plano de negócio para algo que não está validado ainda, talvez numa fase de validação seja melhor um modelo de negócios mesmo. E dou esse exemplo, porque é claro que eu já comecei pelo plano de negócio, muitas vezes, sem ter validado nenhuma ideia e sem conhecer os meus clientes.

 

Ato 3: O início da jornada de aprendizado

 

Em 2016 eu comecei a participar de eventos em empreendedorismo, conheci o pessoal do movimento Make Sense e tive contato com os negócios sociais no evento organizado por membros da comunidade naquele ano, o Sense Camp. Assim, fui aprendendo com as pessoas que encontrei nesse caminho e, que também tinham o desejo de empreender. Em decorrência dessa caminhada ouvi ideias malucas outras nem tanto, mas foi um período de muito crescimento.

A modelagem é uma parte muito importante na criação de um negócio

Daria Nepriakhina

Em 2017, eu participei do Labee na EACH – USP e lá aprendi muitas coisas passo-a-passo sobre como montar sua empresa partindo de uma ideia, passando pelos processos de validação, prototipação e apresentação de Pitch. Nesse programa comecei a testar as minhas hipóteses e a confrontar-me com a minha zona de conforto, dessa forma fui em busca de descobrir o que as pessoas realmente pensam sobre os temas que julguei potenciais para abertura de um negócio em educação e sustentabilidade. Para mim a grande sacada foi: “Caraca nem todas as pessoas pensam em meio ambiente como eu, aliás muita gente não está nem aí para sustentabilidade. Como assim? Não faz sentido!” Esse foi o momento no qual saí da minha linda bolha! Isso realmente fez eu sair dos meus sapatos e andar com o sapato dos outros, e quantos mundos muito diferentes do meu encontrei!

Espero que esse texto lhe ajude, às vezes as pessoas fazem cara de que sabem o que estão fazendo, e isso é importante mesmo para passar confiança aos demais. Todavia somos humanos e as dúvidas permeiam até as cabeças mais incríveis. A saga não acaba aqui, no próximo post dessa série falarei sobre acertos e parcerias! Aguardem!

Regina Freitas

Bióloga e educadora. Acredito ser possível melhorar a qualidade da relação das pessoas consigo mesmas e com os recursos naturais. Assim, compartilho da ética da Permacultura que envolve cuidar das pessoas, cuidar da terra e a partilha justa dos recursos. Sigo desenvolvendo atividades para tornar esse propósito uma realidade.

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