Se leio compreendo de fato? Uma leitura sobre o analfabetismo funcional no Brasil

N o Brasil enfrentam-se sérios problemas relacionados à educação, dentre eles o analfabetismo funcional. Esse tipo de analfabetismo caracteriza-se por pessoas que conseguem reconhecer letras e números, mas que não possuem competência para ler e interpretar textos simples, bem como fazer operações matemáticas elaboradas. A baixa qualidade da educação pública possui um papel preponderante nesse quadro de analfabetismo funcional.

O investimento do PIB no setor da educação ainda está abaixo do necessário para atender às demandas de um país com a dimensão do Brasil. Em 2017, o Ministério da Educação (MEC) teve um corte de R$ 4,3 bilhões no orçamento destinado a ele, esse foi o terceiro maior corte realizado depois dos ministérios da Defesa e do Transporte. Esse tipo de medida nos aponta que além de não avançarmos com os investimentos em educação, ainda temos um quadro de retrocesso orçamentário.

A taxa de analfabetos funcionais no Brasil é alta, e segundo dados do IBOPE (2005), esse problema atingiu cerca de 68% da população. Isso é alarmante porque é importante para as pessoas saberem ler e interpretar as linguagens textuais e numéricas presentes no cotidiano, desde a leitura dos rótulos das embalagens à gestão de suas finanças pessoais, por exemplo. Essas habilidades e competências possuem grande impacto sobre o desenvolvimento pessoal e profissional, bem como para o exercício da cidadania.

O governo brasileiro poderia seguir exemplos como o de países como a Venezuela, que adotou a metodologia “Yo sí puedo” (Sim eu posso) desenvolvido pela educadora cubana Leonela Relys para a alfabetização de adultos. O programa consta de 65 aulas que são divididas em três etapas nas quais 10 aulas são dedicadas à fase de treinamento, 42 à etapa de ensino da leitura e escrita e 13 aulas para consolidação do aprendizado. A Venezuela conseguiu alfabetizar cerca de 1,5 milhão de pessoas com esse método. Além disso, os pais podem estar mais presentes na vida escolar de seus filhos, participando do planejamento escolar, e mobilizar uma pressão junto às escolas e diretorias de ensino no sentido de fomentar propostas para o aumento na qualidade das aulas e da formação dos professores.

O governo do estado pode atuar na destinação de orçamentos adequados para melhoria da infraestrutura das escolas da rede pública estadual, bem como promover incentivos e valorizar o profissional da educação por meio de salários compatíveis com a atuação, bem como um plano de carreira. A arrecadação tributária no estado de São Paulo é uma das maiores do país, e sustentaria um aumento na verba destinada à educação que, por conseguinte, possibilitaria as mudanças mencionadas.  O investimento em workshops e criação de modelos de ensino que ampliem a capacidade dos professores em lidar com essa realidade que já está instalada nos níveis de ensino fundamental, médio e inclusive o superior, também se constitui numa alternativa.

 

Regina Freitas

Bióloga e educadora. Acredito ser possível melhorar a qualidade da relação das pessoas consigo mesmas e com os recursos naturais. Assim, compartilho da ética da Permacultura que envolve cuidar das pessoas, cuidar da terra e a partilha justa dos recursos. Sigo desenvolvendo atividades para tornar esse propósito uma realidade.

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Required fields are marked *