Outra perspectiva sobre a frase “faça o que você ama”

 

M uitos anúncios e propagandas hoje falam sobre trabalhar com o que você ama, fazer o que gosta, viver com propósito. Muitos deles voltados para vendas e consumo de determinados valores.

Sim, esses anúncios são muito atrativos sim, afinal quem não quer trabalhar com o que ama? Só que o que falta nesses anúncios são as histórias de fracasso, medo, dúvida, tentativa e erro. E esse é um dos diferenciais do trabalho que proponho nessas linhas. Porque fazer o que ama muitas vezes representa um grande convite à incerteza, à dúvida, e ao bom e velho conhecido perrengue. Afinal, a vida tem questões práticas do tipo contas a pagar e impostos, gastos com alimentação e transporte, uma vez que estamos inseridos no contexto de uma cultura ocidental capitalista. E saber se teremos como fechar as contas no final do mês e, nos sustentar com nossas próprias pernas, são questões bem estressoras, diga-se de passagem. É bom avaliar isso com cuidado, saiba quem são os profissionais e empresas por trás desses anúncios e cursos. Sobre o que eles querem lhe convencer? Quais argumentos usam para isso? Se desejar contratar coach ou consultoria de carreira, avalie como o processo poderá contribuir autenticamente no seu momento atual, e trace objetivos claros sobre o que você deseja do processo. Essa reflexão auxiliará você e o profissional que lhe dará suporte.

Ficamos com a imagem de que “fazer o que ama” segue basicamente esse enredo: largar um caminho estável no qual você esta infeliz, colocar a mochila nas costas e viajar o mundo em busca de um propósito. Geralmente o que falta nesse enredo é a parte na qual você lidará em muitos momentos com um alto nível de incerteza e, por isso, terá de ter muito foco e paciência para administrar suas emoções diante de cenários desafiadores. Essa máxima se aplica em muitas situações na vida, mas torna-se especialmente importante quando o contexto é a definição do seu caminho profissional.

Com certeza há histórias e pessoas incríveis que fizeram esse caminho, contudo o que muitas vezes não fica claro é como elas fizeram essas transições, qual o custo emocional das suas escolhas e sua habilidade em lidar com as situações que muitas vezes a vida impõe. Tendemos a querer vir acumulando coisas ao longo do caminho, mas escolhas como viajar o mundo, por exemplo, são muito inspiradoras e requerem certo grau de desapego e, sim, você deixará tantas outras coisas para trás (Simões, 2014). Você está disposto?

O meu intuito é encorajar pessoas a seguir seus sonhos sim, de modo consciente, consistente e acima de tudo persistente, com mais clareza. Desejo estabelecer um contraponto para algo que é colocado como muito fácil por anúncios e que na realidade não é. As transições levam tempo para serem realizadas, podem ser meses ou anos. E o modo como as histórias nos são contadas faz tudo parecer muito claro desde o início, afinal quem nos conta está olhando do presente para o passado, e nessa perspectiva tudo fica mais claro mesmo. E na perspectiva do presente para o futuro? Onde encontramos clareza? Bola de cristal talvez? É nesse ponto onde você toma as rédeas da sua vida nas mãos e as respostas serão só suas.

Por isso a importância de procurar por ferramentas e pessoas que forneçam maneiras de como navegar por esses mares, que ora estão calmos e ora turbulentos. Podemos ter bússolas para guiar nossa navegação e minimizarmos nossa ansiedade acerca do futuro, se aceitarmos que erros podem nos deixar a deriva sim, e podem também nos fazer descobrir o “Caminho das Índias”, desde que permaneçamos abertos a novos olhares.

 

Referência



Simões, Arthur. O Mundo ao Lado: uma volta ao mundo de bicicleta. 2 ed. São Paulo: Phorte. 2014. 328 p.

Regina Freitas

Bióloga e educadora. Acredito ser possível melhorar a qualidade da relação das pessoas consigo mesmas e com os recursos naturais. Assim, compartilho da ética da Permacultura que envolve cuidar das pessoas, cuidar da terra e a partilha justa dos recursos. Sigo desenvolvendo atividades para tornar esse propósito uma realidade.

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