O combate a pandemias no mundo globalizado
Regina Freitas 18 de outubro de 2020

Em dezembro de 2019, surgiu na China um novo coronavírus, nomeado oficialmente como 2019-nCoV, o qual espalhou-se rapidamente por todo o país. No entanto, em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a doença Covid-19, causada pelo novo coronavírus, como uma pandemia, dado que já havia sido registrada em diversas partes do planeta. Nesse contexto, o governo federal brasileiro não está comprometido com as orientações da OMS e as milhares de mortes registradas no país poderiam ter sido evitadas com uma boa gestão política da crise sanitária, o que posiciona o Brasil como epicentro mundial do coronavírus.

Crédito: Imagem de Glen Carrie publicada no Unsplash

Assim, a globalização contribui para a disseminação da pandemia, pois, num mundo globalizado, no qual há fluxo intenso de pessoas e mercadorias via transporte aéreo e navegações, a chance de uma epidemia vir a se tornar uma pandemia é bastante alta. Nesse contexto, o mundo já enfrentou outras pandemias como a causada pelo vírus H1N1 ou Influenza A, em 2009. No entanto, o contexto globalizado no qual a pandemia do novo coronavírus se situa possui características singulares como o fato de sermos Sociedade Urbana, segundo Henri Lefebvre. Portanto, isso implica em uma alta densidade demográfica das pessoas em zonas urbanas, além de uma mobilidade espacial muito mais intensa devido a modernização e ampliação dos meios de transporte para a população. Dessa forma, a disseminação do coronavírus encontra condições ideias para ocorrer.

Ademais, a OMS possui um único tratado internacional para regular as ações que os países devem adotar diante de cenários de pandemia, tais como o isolamento social e a quarentena. Dentre outras medidas, o tratado internacional recomenda que, em cenários de pandemia, os Estados-Parte aumentem o monitoramento em aeroportos e outros centros de transporte. Destarte, os países podem realizar a coleta de informações relativas ao itinerário dos viajantes, para verificar se estiveram numa área afetada ou em suas proximidades, ou outros possíveis contatos com infecção ou contaminação antes da chegada. Outrossim, as verificações de temperatura corporal dos viajantes em aeroportos têm sido uma medida adotada por alguns países ao redor do mundo, inclusive pelo Brasil.

Crédito: Imagem de Adam Nieścioruk publicada no Unsplash

Entretanto, o sucesso desse tratado fica a depender do comprometimento dos países-membro com as recomendações da OMS. Assim, muitos países negligenciaram a gravidade da situação como Itália e Espanha, cujos sistemas de saúde colapsaram. E, atualmente, Estados Unidos e Brasil, que lideram o ranking mundial de países com maior número de mortes por Covid-19 no mundo. Embora a saúde pública do Brasil enfrente muitos desafios, o Sistema Único de Saúde (SUS), ao qual todo cidadão pode ter acesso, contribui sobremaneira para o enfrentamento da crise sanitária causada pelo coronavírus. Portanto, a existência do SUS permite às pessoas que apresentam um quadro mais grave da doença ter garantido seu tratamento numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sem contrair uma dívida alta com despesas hospitalares, o que ocorre nos Estados Unidos, por exemplo.

Destarte, o governo federal do Brasil deveria recomendar o isolamento social, para manter as pessoas em casa e evitar que o vírus se espalhe, de maneira a evitar a atual posição de epicentro mundial do coronavírus. Assim, o emprego eficiente do auxílio emergencial e a liberação de capital para apoiar os micro e pequenos empreendedores seriam alternativas para viabilizar isso. Portanto, o auxílio emergencial poderia ser pago integralmente, em lugar dos parcelamentos que têm sido realizados, o que provoca mais deslocamentos até o banco por parte dos beneficiários. Outrossim, o governo federal poderia desenvolver uma linha de crédito facilitada junto à Federação Brasileira de Bancos (Febraban) específica para empreendimentos afetados pela pandemia de coronavírus, o que reduziria a chance de falência de muitos empreendedores.

Regina Freitas

Bióloga e educadora. Acredito ser possível melhorar a qualidade da relação das pessoas consigo mesmas e com os recursos naturais. Assim, compartilho da ética da Permacultura que envolve cuidar das pessoas, cuidar da terra e a partilha justa dos recursos. Sigo desenvolvendo atividades para tornar esse propósito uma realidade.

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