Consequências da nomofobia no contexto mundial contemporâneo
Regina Freitas 21 de novembro de 2020

O contexto mundial contemporâneo está cada vez mais conectado, via internet e uso de outras Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). No entanto, essa hiper conectividade conduziu ao surgimento de novas patologias como a nomofobia, por exemplo. O termo “nomofobia” teve sua origem na Inglaterra a partir da expressão “no-mobile” que significa sem telefone celular. Assim, a nomofobia é o medo de ficar sem celular e, atualmente, o seu significado foi ampliado para o receio de ficar off-line sem a possibilidade de se comunicar por outros dispositivos eletrônicos como tablets, notebooks etc., de acordo a Academia Nacional de Medicina (ANM). Nesse cenário, é preciso que as pessoas realizem um uso consciente da tecnologia em um mundo cada vez mais conectado e, com intenso fluxo de informações, de maneira a cultivar uma boa saúde mental, uma vez que a nomofobia tem contribuído sobremaneira para o aumento da ansiedade e angústia entre as pessoas ao redor do mundo.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o principal objetivo do uso da Internet é a troca de mensagens. Outrossim, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2017, realizada pelo IBGE, aponta que dentre as finalidades do acesso à Internet, o envio ou recebimento de mensagens de texto, voz ou imagens é o principal uso para 95,5% das pessoas de 10 anos ou mais de idade. Portanto, tais dados permitem inferir que a Internet possui um papel de destaque no atendimento de uma necessidade humana básica: a comunicação. Nesse contexto, o aparelho mais utilizado para acessar à Internet no Brasil é o telefone celular, uma vez em 98,7% dos domicílios em que havia acesso à rede, o telefone móvel celular era utilizado para este fim, conforme dados da mesma pesquisa. Destarte, há um uso intenso dessas tecnologias nos lares brasileiros.

Face a isto, o uso intenso das TICs pode desenvolver quadros de ansiedade e angústia com a ausência do aparelho celular, o que compromete a saúde mental dos usuários. Outrossim, foi realizada uma pesquisa pela City University de Hong Kong publicada no periódico Cyberpsychology, Behavior and Social Networking com cerca de 301 estudantes universitários entre 18 e 37 anos na Coreia do Sul, os quais foram entrevistados nesse estudo. Os resultados obtidos permitiram inferir que os participantes da pesquisa enxergam smartphones, tablets e notebooks como parte de sua identidade, e até mesmo uma extensão de seus corpos.

Créditos: Imagem de Andriyko Podilnyk publicada no Unsplash

Por conseguinte, no Brasil, foi criado o Instituto Delete, o qual está associado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Esse equipamento foi inaugurado em 2013, e é o primeiro núcleo do país especializado em pesquisa, prevenção e tratamento da dependência digital. Segundo os colaboradores do instituto, de cada 100 pessoas atendidas, 80 fazem uso abusivo de tecnologia; das quais 20 sofrem de algum transtorno, como depressão, fobia social ou síndrome do pânico. Nesse contexto, tais dados evidenciam a urgência de implementar políticas públicas no campo da saúde pública para lidar com essa questão, uma vez que número de pessoas afetadas é bastante significativo. Assim, os pesquisadores têm estudado como a exposição a essas tecnologias tem contribuído para o agravamento dos quadros clínicos de pessoas cuja saúde mental já está comprometida ou pode vir a sê-lo.

Destarte, é necessário promover a conhecimento e o debate sobre a nomofobia, de maneira a prevenir e tratar a dependência tecnológica. Porquanto, os pesquisadores da área saúde mental podem se reunir aos profissionais de comunicação e desenhar campanhas publicitárias que ampliem o conhecimento sobre o tema e promovam o debate sobre o uso da tecnologia pelas pessoas de diferentes faixas etárias.  Assim, a produção de vídeos sobre a dependência tecnológica com ampla distribuição para televisão aberta e internet seria um meio para promover o conhecimento e trabalhar o tema, tanto na esfera nacional quanto na perspectiva global.

Regina Freitas

Bióloga e educadora. Acredito ser possível melhorar a qualidade da relação das pessoas consigo mesmas e com os recursos naturais. Assim, compartilho da ética da Permacultura que envolve cuidar das pessoas, cuidar da terra e a partilha justa dos recursos. Sigo desenvolvendo atividades para tornar esse propósito uma realidade.

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