Como as redes sociais moldam as suas relações interpessoais?
Regina Freitas 15 de novembro de 2020

O povo brasileiro é um dos que passa mais tempo usando redes sociais. Segundo McLuhan, o meio é a mensagem, pois o meio configura e controla a proporção e a forma das ações e das associações humanas. Notadamente, as redes sociais são o conteúdo da tecnologia da internet (meio) e alteram profundamente as relações interpessoais do indivíduo, impactando suas interações sociais e saúde mental, visto que é um ambiente de exposição virtual no qual as pessoas tendem a comparar suas vidas e experiências com as de outros indivíduos.

Primeiramente, o Brasil é o segundo país no ranking mundial em relação ao tempo gasto em visitas às redes sociais, cerca de 225 minutos por dia, segundo pesquisa realizada pela empresa GlobalWebIndex em 2019, sediada em Londres, essa organização analisou dados dos 45 maiores mercados de internet do mundo. Dessa forma, esse é um tempo significativo do dia despendido no uso das redes, pois representa mais de 3 h diárias. Nesse contexto, o tecnopólio, proposto por Neil Postman, é o atual estágio que caracteriza as relações do ser humano com sua tecnologia, e que caracteriza e molda todos os aspectos da vida humana, nesse caso, afeta inclusive sua rotina diária. Ademais, muitos indivíduos utilizam as redes sociais como uma fonte de espelhamento e comparação com outras pessoas, o que pode ter consequências positivas e negativas. Outrossim, as redes sociais tendem a aproximar pessoas, amigos e parentes distantes que porventura tenham perdido contato. No entanto, esse contato mediado por ambientes virtuais contribui para uma desintegração das relações sociais, uma vez que promove o enfraquecimento das agências efetivas de ação coletiva, tal qual enunciado por Bauman, em seu livro Modernidade Líquida.

Imagem de George Pagan III publicada no Unsplash

Dito isso, os mundos social e simbólico estão cada vez mais sob as exigências do desenvolvimento. Destarte, as redes sociais têm causado uma alteração profunda na forma como as pessoas têm se comunicado e interagido. A palavra “amigo” teve seu sentido ressignificado com o advento da rede social Facebook, por exemplo, a qual utiliza esse adjetivo para qualquer pessoa que se conecte ao perfil de um usuário do seu site. Os laços tendem a ser mais superficiais no ambiente virtual uma vez para desfazer uma amizade basta excluir ou bloquear um usuário, em lugar de vivenciar o constrangimento que seria fornecer motivos e explicações numa relação presencial. Segundo Bauman, a modernidade líquida no coloca diante do “derretimento dos sólidos”, que tornou desarmada e exposta a complexa rede de relações sociais, baseada nas responsabilidades mútuas, perante a racionalidade imposta pelos negócios e pelo dinheiro. Afinal, como expõe o documentário o Dilema das Redes, os usuários são o produto em jogo. Outrossim, as redes sociais favorecem a comparação com outras pessoas, as quais podem construir as narrativas que lhes parecerem mais adequadas para contar suas histórias pessoais. Dessa forma, mesmo que a projeção nas redes sociais não reflita a vida real dos usuários, ela influencia a forma como eles se sentem em relação a si mesmos e aos seus familiares, amigos e colegas de trabalho.

Atualmente, as redes sociais são uma realidade com a qual a população que possui acesso à internet convive. Dessa forma, é possível adotar medidas que cuidem melhor da saúde mental dos indivíduos e das suas relações sociais. Os usuários dessas mídias podem estabelecer rotinas específicas para uso desses sites, tais como o estabelecimento de um horário único para visita por dia ou por semana. Assim, é possível evitar que essa atividade se torne um vício que preenche os momentos de tédio, por exemplo. Destarte, uma maneira de implementar essa medida é por meio da instalação de aplicativos em celulares ou softwares para computador que restringem e bloqueiam o uso de determinados programas e sites, provendo dessa forma um “bem-estar digital” que priorize as relações presenciais e desestimule o uso de redes virtuais.

Regina Freitas

Bióloga e educadora. Acredito ser possível melhorar a qualidade da relação das pessoas consigo mesmas e com os recursos naturais. Assim, compartilho da ética da Permacultura que envolve cuidar das pessoas, cuidar da terra e a partilha justa dos recursos. Sigo desenvolvendo atividades para tornar esse propósito uma realidade.

Your comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *