A  Hipótese da Biofilia é a ideia de que os seres humanos possuem uma tendência inata de buscar conexões com a natureza e outras formas de vida. O termo biofilia foi usado pelo psicanalista americano Erich Fromm em “A anatomia da destrutividade humana” (1973), que descreveu a biofilia como “o amor apaixonado pela vida e por tudo o que está vivo”. O termo foi mais tarde usado pelo biólogo americano Edward. O. Wilson em seu trabalho Biophilia (1984), que propôs a existência de uma tendência dos humanos de se conectar à natureza e outras formas de vida possui, em parte, uma base genética. Isso denota que há evidência científicas para o nosso interesse em ter contato com a natureza, o que traz muitos benefícios à nossa saúde física e mental, como por exemplo:

1. Diminui o estresse. Praticar Atividades ao Ar Livre em ambiente natural permite às pessoas se desconectarem da agitação dos grandes centros urbanos. Estudos tem demonstrado que essas atividades diminuem a impacto de emoções negativas como raiva, ansiedade e tristeza.

Fotografia: Davis Santana
Aqui estou praticando atenção plena ao atravessar um rio com pedras do leito escorregadias tal qual sabão

2. Ajuda a praticar a atenção plena (Mindfulness). A atenção plena envolve orientação para a experiência, ou seja, estimula o foco das pessoas para o momento presente com curiosidade, abertura e aceitação. Experiências como ouvir os sons de pássaros ou a correnteza da água, examinar a textura das folhas, abraçar uma árvore ou estar totalmente presente ao atravessar um rio – escolhendo as melhores pedras para se apoiar – são práticas de atenção de plena nas quais as pessoas ficam a maior parte do tempo no aqui e no agora.

3. Permite conhecer novos lugares. O contato com a natureza desperta a curiosidade e o desejo por conhecer novos lugares, isso amplia a nossa percepção do mundo, das pessoas e sobre outras formas de vida. Conhecer novos lugares aguça nosso interesse por conhecer outras formas de pensar, sentir e agir.

4. Amplia nossa capacidade de socialização. Atividades ao Ar Livre normalmente são feitas em grupo e isso permite aos participantes conhecer novas pessoas, fazer novas amizades e ampliar a sua rede contatos. Isso traz um sentimento de conexão muito forte, algo que todo ser humano busca. O contato com a natureza nos permite olhar o outro de maneira diferente e desperta o sentimento de solidariedade, ao perceber em si mesmo e nos companheiros dificuldades que são compartilhadas em determinados pontos do percurso.

5. Aumenta nossa autoconfiança. O contato com a natureza atua como uma válvula de escape e permite que, no silencio, as pessoas aprendam mais sobre si mesmas e sobre seus meus limites. E tão importante quanto conhecer seus limites é ser capaz de superá-los, como quem diz:

“Putz! Queria muito isso e consegui realizar.”

Esse sentimento de realização é relatado por muitas pessoas, porque com frequência o impacto de um lugar desconhecido ou um terreno irregular pode ser intimidador, mas quando nos permitimos viver essas experiências desafiamos a nós mesmos. Assim, essas pequenas realizações e vitórias em contato com a natureza podem ser levadas para o nosso cotidiano, aumentando a confiança em nossa capacidade de realização.

Apreciar cenas de ambientes naturais ou pouco antropizados tem efeitos de cura sobre nossa saúde e bem-estar. Cuidemos da nossa natureza interior e exterior de modo a nutrir relações saudáveis entre todas as partes. A primavera se aproxima, aproveitemos para apreciar a beleza da natureza por onde passarmos, e quem sabe convidar nossa família e amigos para procurar outras conexões além do wi-fi.

Fontes de inspiração

Referências

HERNDON, Erandi. The top 5 health benefits of interacting with nature. Colorado State University. Disponível em: < https://source.colostate.edu/top-5-health-benefits-interacting-nature/>. Acesso em: 09 set. 2018.

PRESCOTT, Susan L.; Logan, Alan C. Connecting With Nature Has Real Health Benefits. Huffington Post. Disponível em: <https://www.huffingtonpost.ca/davidsuzukifoundation/nature-health_b_9801764.html>. Acesso em: 09 set. 2018.

ROGERS, Kara. Biophilia hypothesis. Encyclopaedia Britannica. Disponível em: <https://www.britannica.com/science/biophilia-hypothesis >. Acesso em: 09 set. 2018.

Créditos das imagens e material audiovisual

Imagem destacada. Fotografia por Evan McDougall no Unsplash.

Imagem no corpo do post. Fotografia por Davis Santana.

 

Regina Freitas

Bióloga e educadora. Acredito ser possível melhorar a qualidade da relação das pessoas consigo mesmas e com os recursos naturais. Assim, compartilho da ética da Permacultura que envolve cuidar das pessoas, cuidar da terra e a partilha justa dos recursos. Sigo desenvolvendo atividades para tornar esse propósito uma realidade.

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