P rocurei a Comunicação Não-Violenta (CNV) por presumir que sua prática melhoraria meu relacionamento com os outros. Entretanto, descobri que ela é capaz de melhorar incrivelmente o nível das nossas “conversas internas” quando nos concentramos em nossos sentimentos e necessidades. E essa constatação foi uma surpresa para mim, pois a CNV melhora e muito o nível de compaixão para com nós mesmos. A utilidade mais importante da CNV pode ser o desenvolvimento da autocompaixão.

A Comunicação Não-Violenta (CNV) é uma técnica de comunicação desenvolvida pelo PhD Marshal Rosenberg que estimula uma comunicação autentica e compassiva com as pessoas ao nosso redor e com o nosso interior. O principal objetivo é estabelecer um relacionamento baseado na sinceridade e empatia (Rosenberg, 2006). Ela possui quatro componentes principais (Rosenberg, 2006):

  1. Observação: as ações concretas que observamos e que afetam o nosso bem estar;
  2. Sentimento: os sentimentos que são despertados em relação ao que estamos observando;
  3. Necessidade: as necessidades, valores, desejos, etc. que estão gerando nossos sentimentos;
  4. Pedido: As ações concretas que pedimos para enriquecer nossa vida.

Esse quatro componentes podem ser aplicados em nossa comunicação com os outros, todavia desejo aplicar esses elementos à nossa comunicação interna. Nesse trabalho não pretendo estender-me sobre a CNV, todavia o objetivo é gerar uma provocação que desperte interesse sobre o tema e, fornecer um roteiro de diálogo interno que pode guiar muitos processos de tomada de decisão e promover um pouco mais de clareza interna, em muitas situações e contextos. Pergunte a si mesmo:

  1. O que estou observando (dentro ou fora de mim)?
  2. O que estou sentindo em relação à essa observação (dentro ou fora de mim)?
  3. O que eu preciso? [quais necessidades busco atender?]
  4. Qual ação ou decisão posso tomar para tornar minha vida mais feliz?

E por que esse assunto? Porque pensar a partir das necessidades ou anseios que desejamos atender dentro de uma determinada situação, pode figurar como um bom ponto de partida para responder muitas outras questões que se apresentam a nós. E essa é uma das abordagens da CNV. Essa é uma ferramenta para olhar para dentro de si mesmo, permitindo mais clareza para uma tomada de decisão alinhada aos nossos valores e necessidades, em lugar de basear-nos somente na bem intencionada opinião alheia a respeito do que é melhor para nós.

Esses questionamentos também podem ser pano de fundo para uma reflexão muito mais profunda, do que apenas tomar decisões com base numa matriz de prós e contras. Essa matriz pode ser potencializada, se for interpretada à luz das reais necessidades que desejamos atender numa determinada situação ou contexto.

Temos de desenvolver um diálogo interno de maneira a promover o aprendizado em lugar do ódio a nós mesmos, pois desenvolvemos a compaixão para conosco quando acomodamos todas as partes de nós mesmos e reconhecemos as necessidades e valores expressos por cada umas dessas partes (Rosenberg, 2006). Esse é um dos caminhos para construir o seu “SOS Empatia”, pois ao oferecer empatia a nós mesmos com uma boa qualidade de presença e escuta atenta ao que está em nosso interior, permite que ofereçamos empatia autentica às pessoas que passam em nossa estrada.

Referência



Rosenberg. Marshall B. Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. Marshall B. Rosenberg ; [tradução Mário Vilela]. – São Paulo: Ágora, 2006.

Regina Freitas

Bióloga e educadora. Acredito ser possível melhorar a qualidade da relação das pessoas consigo mesmas e com os recursos naturais. Assim, compartilho da ética da Permacultura que envolve cuidar das pessoas, cuidar da terra e a partilha justa dos recursos. Sigo desenvolvendo atividades para tornar esse propósito uma realidade.

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