Animal silvestre não é animal de estimação
Regina Freitas 8 de novembro de 2020
Créditos: Imagem de David Clode publicada no Unsplash

O Brasil é um dos países mais biodiversos do mundo. No entanto, sofre com o intenso tráfico de animais existente em seu território, o qual se estrutura por meio de redes nacionais e internacionais de criminosos. Dessa forma, ainda que exista uma legislação que defenda os direitos dos animais, estes ainda não possuem seu direito de liberdade e sobrevivência num ambiente seguro garantido em decorrência de um paradigma antropocêntrico no qual a sociedade se apoia.

Outrossim, os animais possuem o direito de serem livres. Atualmente, cerca de 38 milhões espécimes são retirados da natureza brasileira por ano, segundo a RENCTAS (Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres). Nesse contexto, embora as pessoas alimentem o desejo de ter animais silvestres em seu convívio doméstico, esse é um tipo de afeição que mata, visto que 9 em cada 10 animais traficados morrem antes de chegar ao “consumidor final”, de acordo com dados da RENCTAS. Ademais, essa cultura assemelha-se ao comportamento da personagem desenho animado Felícia, a qual adora apertar animais e, no entanto, cause-lhes grande estresse e desconforto. Além disso, a visão antropocêntrica que coloca os seres humanos em situação de superioridade às outras espécies, explorando a ideia de que animais existem para nos servir como alimento ou fonte de distração é uma mentalidade que contribui para a degradação ambiental.

Nesse contexto, a estrutura de fiscalização e combate ao tráfico de animais no Brasil é frágil. O tráfico de animais é a 3ª maior atividade ilegal do mundo, e fica atrás somente do tráfico de armas e drogas, conforme divulgado pela RENCTAS. A organização não-governamental Traffic publicou o relatório Wildlife Trafficking in Brazil que aponta a falta de dados com um dos fatores que compromete as ações de fiscalização de modo que estas não sejam priorizadas, o que resulta em menos dados coletados. Outrossim, essa má gestão dos dados compromete as forças policiais que se encontram sobrecarregadas.

Imagem de capa do relatório Wildlife Trafficking in Brazil publicado pela ONG Traffic

Por conseguinte, quanto maior o consumo, maior é a exploração. Assim, é muito importante que as pessoas parem de comprar animais silvestres de maneira a desestimular o tráfico. Essa mudança de mentalidade pode ser realizada por meio de programas de educação a serem realizados pelo governo federal e entidades ambientais. Dessa forma, esses atores podem se articular na criação de campanhas que envolvam palestras e produção de conteúdo com participação de especialistas, membros polícia ambiental e ambientalistas que debatam acerca de como agir diante da prática ilegal de comércio de animais silvestres. Ademais, é necessário cobrir a importância da conservação de ecossistemas e habitats necessários à manutenção das populações de animais silvestres.

Regina Freitas

Bióloga e educadora. Acredito ser possível melhorar a qualidade da relação das pessoas consigo mesmas e com os recursos naturais. Assim, compartilho da ética da Permacultura que envolve cuidar das pessoas, cuidar da terra e a partilha justa dos recursos. Sigo desenvolvendo atividades para tornar esse propósito uma realidade.

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